segunda-feira, 23 de junho de 2008

O MODO NATURAL DE VIVER

18/4/2008
O MODO NATURAL DE VIVER

Autor:
Masaharu Taniguchi

É essencial transcender as dificuldades fenomênicas mentalizando: “Aspecto fenomênico, corpo carnal, matéria, nada disso existe de verdade”. Deve-se agir desse modo também no caso de doença. Se uma pessoa, ao sofrer de cólica, de diarréia, de febre alta ou de tosses persistentes, ficar com a mente presa a esses sintomas, acabará se estressando muito, o que causará esgotamento físico e diminuição de capacidade de recuperação. É preciso que a pessoa deixe de se ater aos aspectos ruins como febre, diarréia, tosses etc., ou seja, deixe de ver o aspecto fenomênico e mentalize a Imagem Verdadeira que existe por trás dele, e que é repleta de força curativa, de energia vital. Na verdade, a ocorrência de febre, de catarro, de tosse, de diarréia etc. faz parte da força curativa da Vida. Nada disso ocorre num corpo sem Vida. Contemplar a Imagem Verdadeira significa transcender o mundo fenomênico e visualizar o mundo regido pela Vida de Deus e repleto de força vital que promove a cura. Para isso, não há necessidade de fechar os olhos; basta compreender o significado dos sintomas. Mas, na prática, se ficarmos com os olhos abertos, não podemos deixar de ver o aspecto doloroso da enfermidade e ficar com a mente presa a essa imagem fenomênica. Na Bíblia, Evangelho Segundo João, existe um trecho em que Jesus diz: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos, por isso o vosso pecado permanece”. Com isso, ele quis dizer que, se estivessem com os olhos cerrados, as pessoas entenderiam realmente a Verdade, mas, estando com os olhos abertos, veriam como realidade os aspectos desagradáveis que não existem de verdade e não compreenderiam a sublimidade da Vida. Algumas pessoas pregam que não há necessidade de mentalizar a “inexistência de doença” e que a cura ocorre quando a pessoa acolhe incondicionalmente a doença. Mas há fatos que contradizem isso. São Francisco de Assis, por exemplo, acolheu incondicionalmente a doença, até de bom grado, mas nunca se curou, viveu doentio a vida toda. No fim, por se dispor a aceitar incondicionalmente as mesmas feridas que Jesus Cristo sofreu na crucificação, passou a ter as marcas das chagas de Cristo. Enquanto admitir a existência de doença, é inevitável tornar-se sujeito às doenças. É essencial compreender, em primeiro lugar, o conceito do nada. O monge Mumon costumava escrever a palavra mu (nada) uma atrás da outra, formando fileiras, e repetia a leitura várias vezes. Desse modo reiterava a inexistência das coisas fenomênicas e visualizava o que existe de verdade.

Existe uma escultura que mostra três macacos enfileirados. O primeiro está tapando os olhos, o segundo a boca, e o terceiro os ouvidos. A mensagem que eles transmitem é: “Não ver, não ouvir e não falar”. Significa que é preciso não se deixar iludir pelos sentidos físicos. O budismo prega sobre o “nada”, o “vazio”, e explica que tudo se origina do “nada”. Se o “nada” fosse simples inexistência, esta vida não teria nenhum sentido. Tanto faria estarmos vivos ou estarmos mortos. Aliás, talvez fosse melhor estarmos mortos, pois não precisaríamos nos alimentar, não adoeceríamos, não ficaríamos irritados nem brigaríamos. Se nada existisse realmente, seria melhor estarmos mortos. Mas o “nada” de que falamos aqui é o “nada” no sentido transcendental, que dá origem a tudo. Mentalizar a inexistência de todas as coisas estúpidas do mundo fenomênico é promover a manifestação do mundo de Deus – o paraíso, a Terra Pura – que existe de verdade. Inúmeras vezes por dia, devemos fechar os olhos físicos para mentalizar a inexistência das coisas fenomênicas e, em seguida, abrindo os olhos da mente, devemos despertar para a Verdade de que existe aqui e agora o maravilhoso mundo da Imagem Verdadeira, pleno de sabedoria, amor, Vida, provisão infinita e grande harmonia de Deus. A fundadora da seita Tenri provavelmente conseguiu se desligar completamente do mundo fenomênico e negar a existência da empregada que se envolvera com seu marido e tentara envenená-la; por isso, mesmo sofrendo os efeitos do envenenamento, conseguiu visualizar a Imagem Verdadeira e afirmou: “Aqui é o paraíso”. Em suma, a “grande negação” é outra face da “grande afirmação”. Se nos limitássemos a negar o aspecto fenomênico do ponto de vista relativo, este mundo seria completamente destituído de sentido. Mas o que desaparece por meio de negação são coisas que não existem de verdade. Por mais que se neguem as coisas que existem de verdade, elas não desaparecem. Por isso, quando se persiste em negar os aspectos fenomênicos, finalmente permanecem apenas as coisas que existem de verdade. Então, manifesta-se a Imagem Verdadeira. Se você estiver vendo imagens fenomênicas constituídas de coisas desagradáveis, sofrimentos, aflições, doenças, pobreza etc., afaste-as da mente afirmando categoricamente a inexistência de tudo isso. Esse é um ato de autopurificação, que faz parte da purificação do Universo. Quando se consegue negar todos os aspectos fenomênicos, revela-se o “mundo Sumiyoshi”, o mundo em que todos podem viver em perfeita harmonia. É imprescindível a mudança de visão de vida. O budismo usa o termo eshin, que significa “conversão”; e o cristianismo fala em arrependimento e em “nascer de novo”. De nada adianta nascer de novo se não mudar a visão de vida. Este mundo é um só, mas pode gerar vários mundos conforme a visão de mundo das pessoas. Por exemplo, ao nascer o menino Taro, surge o mundo de Taro; ao nascer o menino Jiro, surge o mundo de Jiro, e assim por diante. Havendo aqui quinhentas pessoas, existem quinhentos mundos, pois cada uma delas vê o mundo conforme sua própria visão de vida. Embora estejamos todos no mesmo mundo físico, no mesmo espaço do Universo, o mundo de cada um varia conforme sua maneira de ver, de ouvir, de sentir, etc.
Do livro Kōfuku no Genri (ainda não editado em português; tít. prov.: Princípio Básico da Felicidade), pp. 95-99


http://www.sni.org.br/exibe_noticia.asp?id=79


SECHO-NO-IE NO BRASIL

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